domingo, 11 de março de 2012

Não dê ouvidos à esposa

Na capital, o rei emitiu um decreto, no qual dizia que, no limite de três dias, cada família em toda a cidade deveria, sem esperar nada em troca, doar à corte uma ovelha bem farta.
Além disso, devido a uma querela com sua mulher, o rei proclamou que os maridos não deveriam mais ouvir suas esposas.
Cada violação traria uma punição severa.
Nos três dias, cada família na cidade enviou à corte uma ovelha gorda. Só Afanti nada enviou.
No quarto dia, o rei mandou trazer Afanti e com uma ameaça assassina perguntou-lhe: "Afanti, maldito! Onde está a sua ovelha?".
"Vossa majestade", disse calmamente Afanti com um sorriso, "depois de eu ler o decreto, voltei para casa e consultei-me com minha esposa. Ela insistiu que nós doássemos uma ovelha. Mas Vossa Majestade também ordenou que o marido não deve ouvir a esposa, então, por isso, eu não enviei nada!".

sábado, 10 de março de 2012

Uma estranha caravana

Um dia Afanti ia à cidade a negócios.
Às portas da cidade, viu o governador, um juiz, um fazendeiro e um chefe de distrito a conversar sentados diante do templo.
"Você veio visitar a cidade, Afanti?", perguntou um dos quatro, que o reconhecera.
"Sim", respondeu Afanti.
"Venha, venha, Afanti", disse novamente aquele. "Conte-nos algo interessante, está bem?", não se importando que Afanti estivesse ocupado.
"Desculpe, eu não tenho tempo", disse Afanti, fingindo que não os conhecia e ocultando o aborrecimento pelo abuso. Mas acrescentou: "Acabei de encontrar uma estranha caravana fora da cidade com quatro camelos, sobrecarregados de mercadorias. Disseram-me com ar de mistério que as mercadorias estão sendo levadas ao governador, a um juiz, a um fazendeiro e a um chefe de distrito. Agora mesmo estou à procura deles".
Ouvindo isso, os quatro superiores perguntaram com urgência: "Eles disseram o que carregam, Afanti?".
"Sim", respondeu Afanti, "explicaram-me que o primeiro camelo carrega chantagem, enviada ao chefe de distrito; o segundo, avareza para o fazendeiro; o terceiro, corrupção para o juiz; e o quarto, barbárie para o governador! Vocês podem ajudar-me a encontrá-los?!"
O superiores ficaram em silêncio e Afanti rapidamente seguiu livre.

quarta-feira, 7 de março de 2012

Mandarim no bote

Um dado mandarim nunca antes viajara de bote.
Certa vez, ele, junto com Afanti, cruzou um rio de barco, nisto que era a primeira vez em sua vida.
Quando o barco chegou ao meio do rio, ele começou a oscilar, o que muito o assustou.
Tremendo de medo, o mandarim puxou com força o colarinho de Afanti, e pedia sem parar: "Bom Afanti, bom Afanti! Meu coração saltará para fora por causa do medo, invente uma solução para mim!".
"Uma solução existe de fato, vossa excelência, mas eu não sei se você a aceitaria ou não".
"Por que não, Afanti! Eu, de bom grado, concordo com qualquer coisa. Depressa, por favor!", insistiu o mandarim.
"Bem", disse Afanti, "então você vivencie primeiro a água", e empurrou-o na água.
Após o mandarim
ter afundado algumas vezes, Afanti agarrou seus cabelos e puxou-o para o bote.
O mandarim já não tinha medo de estar no barco.
Afanti gentilmente lhe perguntou: "Como você se sente? Você ainda está com medo?"
"Não, não, agora eu me sinto muito confortável", respondeu o mandarim
rapidamente, tremendo de frio.
"Sim", ponderou Afanti, "aquele que nunca viajou a pé, não sabe como é bom andar a cavalo, aquele que nunca tenha afundado, não sente a segurança de um barco. Como você pode entender a fome dos pobres, se sempre está comendo um
delicioso cuscuz?".


terça-feira, 6 de março de 2012

Um pouco sobre Afanti e suas histórias

A pedidos, criei este post para apresentar, rapidamente, Afanti.

O herói Nasrudin Afanti é bem conhecido por todas as famílias, mulheres e crianças das treze nacionalidades que vivem na região autônoma chinesa de Xinjiang, no noroeste do país, mas especialmente pela nação uigur. Sempre que se fala sobre Afanti e suas histórias , o povo uigur sente uma alegria calorosa e banha-se em risadas acolhedoras.

As histórias sobre ele circulam de longo tempo na Pérsia e regiões árabes. Depois, estenderam-se também às regiões do Mediterrâneo, dos Bálcãs e do Cáucaso. circulam
amplamente já a alguns séculos também em Xinjiang.


Através de suas histórias, podemos acompanhar batalhas entre a sabedoria e a estupidez, a beleza e a feiura, o bem e o mal. Elas refletem profundamente coragem, diligência, sabedoria, humor, otimismo e outras boas qualidades dos povos trabalhadores. Por outro lado, elas ironizam de forma afiada contra a estupidez e os crimes dos senhores feudais reacionários. Afanti, audaciosamente, zomba dos ricos, dos "superiores"; ministros e reis de seu tempo.

Por isso, ele é visto como um herói lendário, sábio e sagaz por povos de diversas nações.

As histórias sobre Afanti, existentes dentre diversos povos, sem dúvida tornaram-se um tesouro da literatura folclórica oral. Elas são espirituosas e cheias de significado. E o estilo simples e direto da linguagem oral popular é bem representado em todas elas.

Após a fundação da República Popular da China,  foram editadas e publicadas em Xinjiang e em outras regiões várias coletâneas de histórias sobre esta personagem adorável. E algumas histórias até foram levadas às telas. Em Xangai, foram produzidos dois filmes sobre Afanti, os quais foram elogiados de muitos expectadores.

Às vezes magro, às vezes gordo, sempre sábio e de olhar aguçado, o "vovô Afanti", sempre a andar em seu jumento, alegremente cantando e tocando seu tradicional instrumento de cordas, é muito amado. Tornou-se uma figura mundial da literatura folclórica oral, e suas histórias foram traduzidos em muitas línguas.
 

Este blog veio contribuir para trazê-lo à língua portuguesa - por meio do esperanto. Então, espero que gostem! :)


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Excelente!

Em um dado inverno, Afanti construiu uma estufa para cultivar melões doces.
Após a coleta, ele escolheu alguns frescos para o rei, a fim de conseguir algum dinheiro.
Inesperadamente para Afanti, o rei, aceitando os melões, não deu em troca nenhum dinheiro, mas só o elogiou, três vezes, dizendo-lhe: "Excelente!".
Afanti saiu do palácio com o estômago murmurando de fome e além disso não tinha dinheiro algum consigo. Pensando um pouco, ele entrou em um restaurante onde comeu vinte pãezinhos recheados.
"Excelente, excelente, excelente!", gritou Afanti três vezes, em voz alta, pronto para sair, já satisfeito.
"Cadê o pagamento?", gritou o dono. "Você ainda não pagou".
"Mas como?! Acaso agorinha eu não te dei?", protestou Afanti com assombro fingido.
Nada mais acrescentando, o proprietário o levou para o rei, para que recebesse um julgamento.
Ouvindo que Afanti não pagara a comida, o rei explodiu de raiva: "Por que você acha que têm o direito de comer os pãezinhos dos outros de graça?".
"Vossa Majestade, eu não estou errando", respondeu Afanti. "Este senhor é muito ganancioso. Eu comi apenas vinte pãezinhos e paguei por todos, com um até triplo 'Excelente', assim como você acabou de me pagar pelos melões. Por que ele ainda exige de mim dinheiro?".
Após ouvir o apelo de Afanti, o rei nada pôde dizer.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ninguém sabe agora

Quando Afanti tornou-se juiz local, muitas pessoas competiram para tornar-se seu amigo. Alguém o elogiou: "Nasrudin, você é bastante admirável por ter tantos amigos!".
Afanti respondeu: "Quantos amigos eu tenho, ninguém sabe agora. Só depois que eu abdicar da posição de juiz, você será capaz de descobrir quem são meus amigos de verdade".


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Carga para dois burros

Um dia, o rei e um oficial superior foram caçar com Afanti. Porque estava muito quente, as duas autoridades tiraram suas roupas e as deram a Afanti, para que ele as portasse sobre os ombros. Continuando a andada, Afanti suava bastante sob a carga. Ao ver isso, o rei brincou: "Ó, meu Afanti, você é muito capaz. Seu fardo pesa o suficiente para um burro". Ouvindo o que o rei dissera, Afanti indignou-se e replicou com tranquilidade: "Não, Majestade, sobre meus ombros está uma carga para dois burros!".